Juros não são tudo: o “custo total” que ninguém presta atenção
Vamos começar com uma verdade meio chata, mas libertadora: juros de empréstimo é só uma parte da história. A outra parte (que geralmente come o seu dinheiro pelas beiradas) é o tal do custo total: tarifas, seguros, impostos, taxas de abertura… tudo aquilo que não aparece no anúncio grandão, mas aparece quando você já está quase assinando. Sabe quando você compra um ingresso “barato” e depois vem taxa de conveniência, taxa disso, taxa daquilo? Com empréstimo acontece parecido. E é exatamente por isso que o CET existe: pra juntar tudo numa conta só e mostrar o preço real do dinheiro.
Minha opinião pessoal: se todo mundo comparasse empréstimo pelo CET, metade das ciladas do mercado morreria por falta de vítima.
“Parcela é a vitrine. CET é a nota fiscal.”
CET vs taxa de juros: diferença na prática
A taxa de juros é tipo “quanto custa por mês/ano” o dinheiro emprestado. Já o CET é “quanto custa TUDO somado” (em percentual), considerando também tarifas, seguros e impostos. Em outras palavras: você pode pegar uma oferta com juros aparentemente baixos e, mesmo assim, o CET ser maior porque enfiaram custos extras.
Tabela: juros vs CET (bem direto)
| Item | O que é | Por que importa |
|---|---|---|
| Juros de empréstimo | preço “base” do dinheiro | dá uma noção, mas não fecha a conta |
| CET | custo total (juros + extras) | é o número que manda na comparação |
O que entra no CET (tarifas, seguros, impostos e taxas)
O CET costuma incluir (dependendo do contrato):
- juros do empréstimo
- tarifas administrativas
- custo de abertura/serviço
- seguros embutidos (quando existem)
- impostos e encargos aplicáveis
- outras taxas vinculadas ao contrato
Dica de sobrevivência: se não conseguem te explicar o CET de forma clara, não é você que está “confuso”. É a oferta que é confusa.
O erro clássico: comparar só pela parcela (e cair na armadilha)
A parcela pequena que sai cara no final
Parcela pequena é sedutora. Parece uma “assinatura de streaming”: cabe no mês, não dói. Só que no empréstimo, a parcela pequena muitas vezes vem de duas coisas: prazo longo e custo total alto. E aí você paga leve… por muito tempo… e no final descobre que pagou caro demais.
“Parcela baixa pode ser alívio. Mas pode ser anestesia.”
Prazos longos: quando viram “assinatura de dívida”
Quando o prazo estica demais, você perde duas coisas: liberdade e fôlego. Porque uma dívida longa vira aquele boleto invisível que come seu orçamento todo mês, mesmo quando você muda de emprego, muda de plano, muda de vida. Minha opinião: prazo longo só vale quando ele vem com CET muito melhor e com chance real de amortizar/antecipar depois. Caso contrário, vira “academia financeira”: você paga todo mês e quase não vê resultado.
Exemplo real: mesma parcela, custos totalmente diferentes
Vamos ver como duas ofertas podem te enganar com a mesma parcela.
Tabela: duas propostas com parcela parecida (mas custo final diferente)
| Proposta | Parcela | Meses | Total pago (parcela x meses) | Observação |
|---|---|---|---|---|
| A | R$ 420 | 24 | R$ 10.080 | CET menor, menos taxas |
| B | R$ 415 | 30 | R$ 12.450 | CET maior, prazo longo “disfarça” |
| Percebe a pegadinha? A proposta B “parece” melhor porque a parcela é menor. Mas no fim, você paga bem mais. É por isso que comparar só parcela é tipo escolher viagem só pelo preço do voo e ignorar hotel, transporte e taxas. |
Passo a passo para comparar empréstimos como gente grande
1) Defina o valor exato e o prazo máximo aceitável
Primeira regra: não peça “o máximo”. Peça o necessário. E defina um prazo máximo que você aguenta sem virar refém.
Perguntas rápidas pra você mesmo:
- Quanto eu realmente preciso (em reais)?
- Em quantos meses eu quero (ou consigo) acabar com isso?
- Qual parcela cabe com folga, não no sufoco?
2) Pegue o CET e o valor total a pagar de cada proposta
Quando você tiver propostas na mão, anote duas coisas: CET e valor total a pagar. Se alguém esconder isso, já é um sinal de alerta.
3) Compare maçã com maçã: mesmo valor, mesmo prazo
Comparação justa é assim: mesmo valor e mesmo prazo. Se um é 24 meses e outro é 36, você está comparando coisas diferentes. Ajuste ou descarte a comparação.
4) Olhe além do número: multas, seguros e regras de quitação
CET é essencial, mas não é o único ponto. Você também precisa ver:
- multa por atraso e juros de atraso
- se tem seguro embutido e se é opcional
- se dá pra antecipar parcelas e ter desconto (amortização)
- se existe taxa pra quitar antes (quando existe, é sinal ruim)
Checklist rápido para não errar na comparação
- Mesmo valor solicitado nas simulações
- Mesmo prazo (ou ajuste para comparar)
- CET anotado e claro
- Total a pagar calculado
- Taxas/seguros identificados
- Regra de quitação antecipada entendida
Como calcular (ou conferir) o CET na prática
Onde o CET aparece no contrato e na simulação
Normalmente o CET aparece na simulação e no contrato (às vezes escondido em “detalhes” ou “informações da operação”). Se você não acha, peça. Simples assim.
Como fazer uma conta simples com parcela x meses
Uma conta rápida (não perfeita, mas muito útil) é:
Total estimado = parcela x número de meses
Depois, some custos iniciais (se houver). Isso te dá um “tamanho” da dívida. Não substitui o CET, mas te ajuda a enxergar quando a coisa está grande demais.
Quando o CET “parece baixo” mas o custo total denuncia
Às vezes o CET parece aceitável, mas o prazo é tão longo que o total pago fica assustador. Então você precisa olhar os dois: CET e total a pagar. Eles andam juntos.
Tabela modelo para você comparar propostas
Copie e use assim (até num bloco de notas):
| Proposta | Valor (R$) | Prazo (meses) | Parcela (R$) | CET (%) | Total pago (R$) | Seguro? | Dá pra amortizar? |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | |||||||
| 2 | |||||||
| 3 |
Fatores que mudam o CET (e você nem percebe)
Perfil de risco, score e comprovação de renda
Seu perfil muda a taxa. Quem tem renda comprovada e histórico mais estável costuma receber CET melhor. Não é “justo” em termos emocionais, mas é como o mercado precifica risco.
Tipo de crédito: pessoal, consignado, garantia e FGTS
Modalidades diferentes têm riscos diferentes — e o CET acompanha isso. Crédito com garantia/consignado tende a ser mais barato porque reduz risco.
Mini-tabela: tendência de custo (geral)
| Tipo | Tendência de CET |
|---|---|
| Crédito pessoal | mais alto |
| Consignado | mais baixo (geralmente) |
| Com garantia | pode ser bem mais baixo |
| Antecipação FGTS | varia, mas costuma ter lógica própria |
Taxas extras e seguros embutidos
O famoso “barato que engorda”: taxa de serviço, seguro empurrado, tarifa escondida. Isso mexe no CET.
Data da contratação e promoções: por que o CET muda
Taxas mudam com o tempo, campanhas mudam, condições mudam. Uma simulação de hoje pode não ser igual amanhã. Por isso, print ou anote.
Menor CET nem sempre é melhor (sim, isso acontece)
Prazo, flexibilidade e possibilidade de amortização
Um CET um pouco maior pode valer se você tiver flexibilidade e puder amortizar (pagar antes) com desconto real. Às vezes o “contrato bom” é o que te deixa sair mais cedo.
Atendimento, transparência e risco de dor de cabeça
Eu valorizo muito transparência. Um contrato confuso com CET baixo pode virar dor de cabeça que custa mais caro do que a diferença de CET.
Quando pagar um pouco mais te salva de um problemão
Exemplo: duas propostas parecidas, uma tem regras claras de quitação antecipada e outra te prende com taxa e burocracia. Pagar um pouco mais pode ser pagar por liberdade.
Estratégias para reduzir o CET antes de contratar
Negociar prazo, valor e forma de pagamento
Às vezes reduzir o valor ou encurtar o prazo derruba custo total. E sim, dá pra negociar condições em muitos casos — principalmente se você mostra que está comparando propostas.
Usar garantia/consignado quando fizer sentido
Se você tem acesso a modalidades com risco menor, o CET pode cair bastante. Mas só vale se você entende o risco e não coloca um bem essencial em jogo no impulso.
Melhorar cadastro e reduzir comprometimento de renda
Coisas simples ajudam: dados consistentes, renda comprovável, menos dívidas ativas, menos “limite estourado”. Isso melhora percepção de risco e pode melhorar condições.
Portabilidade e renegociação depois: como virar o jogo
Se você pegou um empréstimo caro num momento ruim, não significa que você vai ficar preso nele pra sempre. Pagando em dia e melhorando perfil, dá pra buscar redução depois.
Conclusão: CET é seu filtro de realidade
No fim das contas, o CET é o “radar” que mostra o custo real do crédito. Ele impede que você caia no truque da parcela bonitinha e te obriga a olhar para o que realmente importa: quanto você vai pagar no total e em quais condições. Juros de empréstimo importa, mas o CET é a soma da verdade inteira. Se você comparar com método, você economiza dinheiro e, mais importante, economiza arrependimento.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é CET e por que ele é importante?
É o custo efetivo total do empréstimo, somando juros e taxas. Ele permite comparar propostas de forma justa.
Como comparar empréstimos com prazos diferentes?
Tente equalizar prazo e valor. Se não der, compare CET e total a pagar, e veja o impacto do prazo no custo.
Seguro no empréstimo é obrigatório?
Nem sempre. Quando existir, precisa estar claro no contrato. Desconfie de seguro “embutido” sem explicação.
Como saber se uma taxa está cara?
Compare CET entre propostas, olhe o total pago e avalie se o custo faz sentido para seu perfil e modalidade.
Vale a pena trocar um empréstimo por outro (portabilidade)?
Pode valer se o CET cair e as condições compensarem. Sempre faça as contas do custo total e das taxas envolvidas.

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